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Qualidade da silagem e a relação com o desenvolvimento animal e a produção leiteira

23/04/2021

Qualidade da silagem e a relação com o desenvolvimento animal e a produção leiteira

Quando éramos crianças, quantas vezes escutamos nossos pais dizendo “coma para ficar forte” e, hoje, entendemos quanta sabedoria estava nesta frase. O alimento é essencial para a vida dos seres humanos e também dos animais. Quanto melhor for esse alimento, mais “forte será”, ou seja, será mais completo! No manejo dos animais de leite não é diferente, um alimento de qualidade faz grande diferença na produção, “um alimento de baixa qualidade reflete em baixa produção”, e quem afirma é Vilmar Fülber, cooperado Copagril que tem um plantel que produz em média mais de 2 mil litros de leite ao dia. Para ele a alimentação é um cuidado essencial e a atenção na silagem está no topo desse trabalho.

Vilmar e o filho Paulo Cesar, cultivam as áreas no verão e no inverno para um milho de alta qualidade que resulte em uma silagem adequada às necessidades alimentares dos animais. Cuidado que inicia no campo, desde a escolha do híbrido, manejos culturais, ponto de corte e preparação dos silos e equipamentos agrícolas. “Nas últimas safras escolhemos um híbrido que já conhecemos e que tem um histórico de produtividade bom, sempre procurando alinhar a alta tecnologia com produtividade, o que implica em todos os cuidados de manejo na lavoura conforme as necessidades e orientações da equipe técnica da Copagril”, complementa Vilmar.

Todo o cuidado e atenção dedicados à planta no campo refletem na qualidade do material. Como explica a equipe técnica da Copagril, "é comum dizermos que a qualidade da silagem é como a qualidade do leite: você não pode melhorar ela depois do processo ter concluído; na melhor das hipóteses, é possível manter a qualidade inicial. Isso significa que, se o produtor possui um milho bem manejado, de boa qualidade, confeccionar a silagem no ponto correto e realizar todos os procedimentos de ensilagem necessários terá um alimento bom para os animais, contudo, se não for um milho bom e não fizer os procedimentos corretos, não é possível melhorar a qualidade depois da silagem pronta" explica a médica veterinária do Fomento Leite da Copagril, Andressa Duarte.

Vilmar acrescenta que busca um híbrido que ofereça bom resultado de massa, mas não se deve deixar de lado a produção de grão. "É um trabalho em conjunto com a equipe técnica, avaliamos o momento adequado para fazer a silagem e assim não perder em massa e ter o melhor aproveitamento de grão. E claro, sempre atentos à umidade do material" explica.

A umidade vai ser apresentada como o teor de matéria seca na análise da silagem, sendo que o valor adequado está entre 33% e 36%. Milhos ensilados com umidade alta provocam a lixiviação de nutrientes, reduzindo a qualidade do alimento. Essa ocorrência é relatada por produtores em silos que "choram". Da mesma forma, quando a silagem é confeccionada com baixo teor de umidade, há interferências na digestibilidade pelos bovinos. Além destes, o teor incorreto de umidade pode interferir no pH da silagem, que deve ficar entre 4,0 e 4,5.

Outro ponto chave para a qualidade da silagem está relacionada à vedação e compactação, porque estes aspectos estão diretamente ligados à fermentação que acontece por meio de bactérias (desejadas) anaeróbicas, ou seja, que não necessitam de oxigênio. “E é justamente ao contrário, falhas na vedação permitem a entrada de oxigênio no silo e isso prejudica a fermentação correta da silagem e assim, perdemos qualidade do material”, explica a profissional da Copagril. Na propriedade da família Fülber estes são aspectos destacados pelo Vilmar e pelo Paulo. “Trabalhamos sempre com lonas novas, fazemos duas camadas e envelopamento nos cantos. Escolhemos uma lona mais resistente, mas que também garante uma vedação melhor e assim temos maior segurança na qualidade da silagem durante todo armazenamento”, explica Paulo, que também reforça a importância do momento de preparo da silagem, “Programamos os dias de silagem para fazer com a maior agilidade, preservando o máximo da qualidade do milho. Fazemos o corte e a silagem, com atenção na compactação e também com cuidado para não sujar, com atenção para evitar de levar terra para dentro do silo”, explica o produtor.

Manejos e cuidados que refletem em resultados de qualidade da silagem e baixa quantidade de perdas, proporcionando à família o histórico de premiações em Concursos de Silagem
da Copagril.

No cocho

Assim como a escolha do híbrido, o manejo no campo e os cuidados no momento de fazer a silagem são importantes para a qualidade deste alimento, o tamanho de partícula também é fundamental para a digestibilidade dos animais. “A partícula de tamanho grosseiro provoca a seleção dos alimentos e alta quantidade de sobras no cocho; a silagem com partículas muito pequenas interfere na sanidade ruminal da vaca, levando à acidose. Ou seja, em ambos os casos, o animal não consome a dieta de forma equilibrada, ocasionando desbalanço nutricional e queda de produção e qualidade
do leite”, descreve Andressa.

“Cuidamos sempre na escolha das peneiras para o corte da silagem”, complementa Vilmar ao falar do acompanhamento da equipe técnica da Copagril e do trabalho na propriedade do genro Felipe Rodrigo de Cesaro, que também é médico veterinário e gerencia o manejo nutricional dos animais, atentando-se para a mensuração de consumo conforme exigências físicas e de produção do lote que, atualmente, conta com 65 vacas em produção e 30 novilhas.

Além das atividades da família, o trabalho na propriedade ainda conta com o aporte de três casais, dois diretamente ligados ao manejo com a produção de leite. “Sabemos que temos esse compromisso, com a nossa família, mas também com outras famílias que dependem de um trabalho bem feito, por isso o cuidado em todas as etapas é fundamental”, complementa o cooperado Vilmar ao falar sobre o planejamento dos estoques de silagem e gestão da alimentação dos animais. “Antes de produzir o leite, o produtor deve ter capacidade de produzir alimento para os animais. Um está ligado ao outro, sem comida não há leite”, completa.


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 119 (janeiro/fevereiro/março). Você pode conferir o conteúdo original em: https://www.copagril.com.br/revista/90

**Conteúdo produzido com a colaboração do Fomento Leite Copagril.

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