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Enfezamentos no milho preocupam agricultores na área de atuação da Copagril

01/04/2021

Enfezamentos no milho preocupam agricultores na área de atuação da Copagril

Os agricultores da área de atuação da Cooperativa Agroindustrial Copagril estão realizando os manejos em suas lavouras para alcançar bons resultados no fim do ciclo da segunda safra de milho (safrinha),a principal safra relacionada à cultura na região. Porém, uma preocupação latente já no início da safra é a incidência dos enfezamentos causados pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis),que desde 2019 ocorre com mais frequência na região e tem potencial de prejudicar até 80% da produção.

O fiscal agropecuário da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar),Anderson Lemiska, explica que os enfezamentos realmente são preocupantes e que a cigarrinha é o vetor de proliferação do problema. “Sozinha, a cigarrinha não é capaz de causar prejuízos significativos. O problema está nos enfezamentos e a risca do milho, doenças que ela carrega e transmite às plantas sadias”,
comenta Anderson

O enfezamento

O enfezamento é uma doença causada por patógenos chamados molicutes (bactérias sem parede celular). Existem dois tipos de enfezamentos, o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho, causados por Spiroplasma kunkelii e Phytoplasma, respectivamente. Os dois tipos podem ocorrer de forma simultânea no milho e a identificação é feita por visualização de sintomas nas plantas, mas para confirmação dos patógenos é realizada análise molecular. “Os molicutes são bactérias sistêmicas que circulam toda a planta, afetando toda a regulamentação hormonal”, destaca o fiscal da Adapar.

Conforme entrevista da pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Dra. Dagma Dionísia da Silva, divulgada na edição 117 da Revista Copagril “o problema da ocorrência dos enfezamentos é que são doenças sistêmicas para as quais não existe nenhum controle químico, ou seja, após surgirem os sintomas, não tem nenhuma ação que possa minimizar as perdas”, comentou a profissional.

Medidas de controle

Conforme embasamento em conteúdos da Embrapa Milho e Sorgo, várias práticas de controle são recomendadas para serem adotadas em conjunto para ter a máxima eficiência:

    ·Sincronia da semeadura do milho;

    ·Evitar semeaduras de milho fora de época;

    ·Diversificar e rotacionar cultivares de milho;

    ·Escolha de material geneticamente mais resistente;

    ·Tratamento de sementes para controle dos insetos iniciais;

    ·Monitoramento da cigarrinha;

    ·Se necessária, utilização do controle químico com agrodefensivos cadastrados na Adapar e com o auxílio de um profissional de agronomia para melhor eficiência;

    ·E o principal: eliminação de milho voluntário (guaxo, tiguera).

“Esse milho voluntário traz sérios problemas para o milho safra e safrinha, afinal, essa planta é hospedeira da cigarrinha e dos molicutes. A cigarrinha se instala na planta e inicia uma população, pois ela pode colocar de 400 a 600 ovos com alta viabilidade. Essas procriações migram para o milho safra e safrinha com uma grande população, e, caso a planta voluntária esteja com incidência de enfezamento, as cigarrinhas já saem infectadas de lá, atacando e transmitindo a doença para as culturas já na fase inicial”, enfatiza Lemiska.

Dentre os sintomas do enfezamento, destacam-se as características de folhas avermelhadas, amareladas ou verde limão, porém os sintomas relacionados aos enfezamentos vão bem além de folhas com cores diferentes, sendo graves à cultura:

    ·Multiespigamento: várias espigas na mesma planta sem ou com má formação de grãos.

    ·Raízes com tamanho reduzido, prejudicando a sustentação e desenvolvimento da planta;

    ·Espigas com problemas de enchimento de grãos, pequenas e/ou mal formadas;

    ·Perfilhamento: um ramo principal e outros secundários na mesma raiz, prejudicando a formação da planta e grãos;

    ·Acamamento da planta: dobramento do colmo em vários momentos da cultura, tanto em plantas precoces quanto em plantas com espigas e grãos formados;

*Com relação aos acamamentos, existe um fungo associado. "O enfezamento enfraquece a planta e os fungos oportunistas entram dentro do colmo, fazem com que ele apodreça e a planta não consegue sustentar seu próprio peso”, complementa Lemiska.

Campanhas

A Copagril em conjunto com a Adapar e entidades tem incentivado campanhas de eliminação de milho voluntários para quebrar o ciclo inicial da população de cigarrinhas, por isso, após o fim da safra e safrinha é recomendado o monitoramento e a eliminação de qualquer planta voluntária da propriedade, visando quebrar o ciclo da cigarrinha e dos enfezamentos. “A Adapar está junto com o setor produtivo fazendo monitoramentos, coletas e análises laboratoriais no sentido de tentar mitigar os problemas ocasionados pelos enfezamentos do milho no Paraná”, finaliza Lemiska.

Também está disponível no YouTube da Copagril um vídeo sobre os enfezamentos e seus problemas visando levar de forma dinâmica e interativa as informações mais importantes sobre o assunto.

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