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Qualidade do leite e sanidade animal

13/01/2021

Qualidade do leite e sanidade animal

Antes do raiar do dia a família já está em pé e pronta para começar os afazeres. E lá no potreiro os animais também já estão esperando para a rotina matinal: a primeira ordenha. É assim que iniciam os dias na propriedade da família Matter, na Linha Barra Funda, no município de São José das Palmeiras.

A propriedade está com a família desde 1973, quando Valdir e Zelmira se estabeleceram na localidade para criar os filhos, estes que inclusive trabalham nas atividades da propriedade. Na produção de leite, a filha Viviane está à frente há quase 12 anos e é o “controle de qualidade”, mas ela não trabalha só, trouxe o marido Leandro Luis Lersch para a atividade e ainda conta com o apoio do cunhado Luiz Carlos Gomes e o sobrinho Gregory Matter Gomes. “Aqui trabalhamos todos juntos. Juntos no trabalho, na gestão e nos resultados. Temos nossas escalas e revezamos conforme a necessidade de cada dia, para também atender as outras atividades da propriedade”, explica Viviane.

A família trabalha na propriedade há quase 50 anos, na foto (esq. p/ dir.) Zelmira Matter, Valdir Matter, Gregory Matter Gomes, Luiz Carlos Gomes, Viviane Matter Lersch, Leandro Luis Lersch e o técnico da Copagril, Rodrigo Aparecido Vicente

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A rotina e o cuidado de toda equipe de trabalho fazem a diferença no dia a dia. Em dezembro são 37 vacas em lactação e o destaque é a qualidade da produção que a família mantém em níveis de CCS e CPP (conhecido como CBT),adequados e dentro dos padrões.

“Quando olhamos para os resultados, especialmente falando de CCS e CPP, é possível identificar a dedicação no trabalho. Isso porque esses resultados estão diretamente ligados ao manejo, à ordenha e todos os cuidados que envolvem a atividade leiteira, desde a alimentação, sanidade animal, genética e capacidade de produção”, comenta o técnico agropecuário da Copagril, Rodrigo Aparecido Vicente. Ele explica que esses resultados são indicadores de qualidade, sendo a CPP (Contagem Padrão de Placas) ligada à higiene e conservação do leite, envolvendo boas práticas, temperatura e armazenamento. A CCS (Contagem de Células Somáticas) é um indicador de saúde da glândula mamária da vaca, relacionada à produtividade do animal, teor de lactose, nível de proteína e acidez do leite. Também indica a sanidade e bem-estar, ou seja, CCS é um balizador da qualidade em nutrição, saúde e manejo no campo e ordenha. “E ainda os aspectos de estrutura e limpeza que vão refletir nos números. Não digo que a estrutura necessariamente deve ser de alto padrão – quando possível, melhor, mas esses resultados representam o cuidado e zelo na limpeza dos espaços, ordenha e resfriador”, ressalta Rodrigo.

As instruções

As Instruções Normativas (IN) 76 e 77 tratam da qualidade do leite em questão de produção, conservação e industrialização. As normativas foram publicadas em 2018 e passaram a vigorar entre 2019 e 2020 com o objetivo de padronizar a produção nacional e fomentar o profissionalismo em todos os segmentos da cadeia leiteira. Entre as mudanças trazidas pelas INs temos o estabelecimento de um limite da CPP de, no máximo, 300 mil unidades formadoras de colônia por mililitro (UFC/mL) e 500 mil unidades formadoras de colônia por mililitro (UFC/mL) para CCS. “Em decorrência da pandemia houve um período maior para que os produtores se enquadrassem e realizassem os planos de ação. Agora o MAPA (Ministério da Agricultura) intensificará as auditorias e os produtores fora do padrão serão barrados, ou seja, produtores com resultados acima do estabelecido por três meses consecutivos não poderão mais entregar até apresentarem análises dentro do padrão e as indústrias não poderão receber esse leite até regularização do produtor”, revela a supervisora do Fomento Leite da Copagril, Caroline Hoscheid Werle.

Ela ainda reforça que a CCS é um indicativo dentro da qualidade, não apenas por uma questão de se enquadrar na legislação, mas porque níveis altos representam perdas de produção na propriedade. “É indicativo de saúde, vacas com CCS acima de 200 mil tem perda de produção de 6% a 8% e quanto maior o valor de CCS maiores os níveis de redução. A contagem representa as células de descamação, uma reação de defesa dos organismos dos animais contra bactérias. Altos números prejudicam a qualidade do leite, diminuem o teor de gordura e proteína, interferem até no gosto do leite”, descreve a profissional da Copagril ao reforçar que bons números de CCS são resultados do trabalho contínuo, relacionado a manejo, como alimentação e bem-estar animal, genética, idade, partos e ordenha.

Qualidade

A família Matter está envolvida na produção leiteira há muitos anos, Viviane relata sobre o começo, quando a mãe Zelmira ainda realizava a ordenha manual. “A atividade sempre esteve na família e continua, os filhos assumiram e trabalhamos juntos, todos focados em qualidade e produtividade. Trabalhamos pela porcentagem de produção, por isso sabemos que quanto melhor a qualidade, mais vamos ter em produção e maior o retorno”, explica.

Entre algumas das práticas de qualidade na propriedade da família, o técnico Rodrigo ressalta sobre a limpeza, pré e pós-dipping, tempo e manejo de ordenha, controle de mastite e alimentação, entre outras que refletem nos baixos números de CCS.

A limpeza com água quente e uso correto de detergentes é uma orientação técnica seguida à risca pelos produtores. Viviane explica que faz a limpeza diária com detergente. “Estamos sempre de olho no equipamento de ordenha, esticando e trocando regularmente os anéis, cuidando com a troca de teteiras e tudo que possa deixar o animal mais tranquilo, favorecendo a agilidade na ordenha e assegurando o bem-estar”, aponta.

“Além do pasto, também disponibilizamos a silagem de milho, a ração e o grão úmido para a alimentação. Cuidamos com o controle de doenças, enfermidades e carrapatos. Por exemplo, quando o animal chega para a ordenha fazemos a limpeza e avaliamos os sinais de saúde”, explica Leandro, e o assunto é complementado pela Viviane, que fala sobre o cuidado homeopático para mastite e atenção redobrada para animais susceptíveis, bem como a precaução na carência do leite e renovação de rebanho.

Luis também reforça a importância da equipe técnica Copagril no atendimento. “O Rodrigo e a equipe da Copagril nos atendem e orientam. Não fazemos nada na dúvida, não tem esse negócio de ficar inventando. Pedimos as orientações e eles sempre nos atendem, devemos parabenizar o Rodrigo e o pessoal da Copagril”, completa o produtor.


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 118 (outubro/novembro/dezembro). Você pode conferir o conteúdo original em: https://www.copagril.com.br/revista/88

**Conteúdo produzido com a colaboração do Fomento Leite Copagril.

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