notícias

Impactos das micotoxinas na produção de leite

26/08/2020

Impactos das micotoxinas na produção de leite

O ditado é “o que os olhos não veem, o coração não sente”, mas nem sempre é bem assim, especialmente quando estamos falando de alimentação e principalmente dos microrganismos nocivos à saúde.

Na dieta de ruminantes, como é o caso dos bovinos, é recorrente a presença de microrganismos antinutricionais, o que causam perdas consideráveis em produção e sanidade. Entre esses elementos de degradação da qualidade estão as micotoxinas, tão pequenas e imperceptíveis ao “olho nu” que passam despercebidas no dia a dia, mas só porque não vemos, não quer dizer que não estão presentes e que não podem causar problemas.

Mas então, o que é a micotoxina e como ela está presente nos ingredientes da alimentação dos animais?

As micotoxinas são compostos tóxicos produzidos por fungos aeróbicos em estresse por temperatura e umidade.

Os fungos podem se desenvolver no campo durante o desenvolvimento da planta, como também no transporte e armazenamento do alimento, sempre que as condições sejam favoráveis ao microrganismo, ou seja, os fungos crescem e se proliferam bem quando há condições ideais de temperatura, teor de água e presença
de oxigênio.

E conforme se desenvolvem, ou seja, ao se multiplicarem degradam os açucares e proteínas presentes no alimento e assim reduzem o valor nutricional do composto. “São capazes de interferir no funcionamento normal do rúmen e aparelho digestivo dificultando a absorção de nutrientes e assim podem levar a ocorrência de doenças. Também pode resultar em alterações reprodutivas de acordo com o tipo de micotoxina, aumentando o intervalo entre parto dos animais”, explica a médica veterinária e supervisora do Fomento Leite da Copagril, Caroline Hoscheid Werle.

Reflexos das micotoxinas

Na produção de leite, as micotoxinas mais preocupantes são as aflaxotinas, desoxinivalenol (DON),zearalenona, fumonisinas e a toxina T2.

Aflatoxinas - Encontradas em cereais colhidos com alta umidade, como o milho e o arroz, além do algodão e amendoim. Causam danos ao fígado, reduzem o desempenho produtivo e reprodutivo, aumentam a incidência de tumores e redução da imunidade, sendo que as mesmas são excretadas no leite.

DON e Zearalenona - Encontradas em grãos de cereais e em pastagens, causando redução da ingestão de alimentos, redução na produção de leite e eficiência reprodutiva, aumento no teor de CCS (Contagem de Células Somáticas) no leite, além de desordens do trato digestivo. Em casos mais graves, ocorrem abortos e hemorragias.

Fumonisinas - Prejudicam as funções do sistema imunológico, causam lesões no fígado e rins, além de provocar edemas pulmonares.

T-2 - Leva o animal a recusar o alimento, reduzindo a produção, além de causar imunossupressão em bezerros.

Os casos mais graves de contaminação podem até causar a morte nos animais, contudo, conforme destaca a profissional da área técnica da Copagril, a extensão dos problemas estará relacionada a quantidade ingerida de micotoxinas, a frequência de consumo do alimento contaminado e os sinais clínicos que os animais apresentam. “Não é um caso de alarme total para o produtor, contudo, quando falamos em micotoxinas é um processo de ingestão progressivo, que demanda atenção regular no trabalho do dia a dia e também precisa do acompanhamento técnico adequado. É um conjunto de fatores de manejo e entre eles a contaminação das micotoxinas que resultará em problemas. Por isso reforçamos a importância do acompanhamento de um profissional da Copagril e também o uso de insumos
adequados”, descreve.

Manejo

“Com frequência produtores relatam que após a mudança de alimentação das vacas, a produção cai, piora o índice reprodutivo e há maior incidência de enfermidades. Por vezes, o fato pode estar atrelado à pausa de adsorventes ou tamponantes”, alerta a médica veterinária ao ressaltar que também existem outras bactérias que afetam a nutrição, como as enterobactérias e o fungo Aspergillus fumigatus, que causam problemas de saúde associados à transição de dieta, o chamado fundo do silo. As enterobactérias estão presentes em grandes quantidades em silagens frescas, daí a importância da utilização de inoculantes e tempo adequado de ensilagem dos alimentos.

“É importante salientar que a contagem dos microrganismos pode variar de 0 a dezenas de milhares de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) por grama de forragem e o objetivo é possuir a menor porcentagem possível na dieta dos animais, porque os compostos da alimentação são transferidos ao animal e assim aos produtos, como o leite e a carne, o que é um prejuízo ao produtor e a indústria”, explica Carol.

As micotoxinas e todos os problemas que elas podem causar estão no trabalho do dia a dia do produtor rural, mas com o devido manejo e a correta execução de todas as etapas da produção animal, melhor serão as chances de inibir os reflexos desse inimigo invisível. “É no trabalho diário que vamos fazer a diferença, quando as atividades são executadas conforme a orientação técnica, os insumos usados adequadamente e a alimentação, entre ela a ração, é adequada, os resultados são consequências”, afirma Caroline.

A equipe técnica do Fomento Leite da Copagril está disponível para mais esclarecimentos e orientações sobre a alimentação e manejo dos bovinos. A Copagril, em mais de 20 Lojas no Paraná e Mato Grosso do Sul, disponibiliza os produtos e insumos adequados para todas as etapas e também a Ração Copagril, produzida com alto padrão, em fábricas tecnificadas e de referência em controle
de qualidade.

Para reduzir os impactos negativos das micotoxinas:

- Reduzir o nível de contaminação dos alimentos pelo controle de entrada de pequenos animais (como roedores) ao silo, vedando bem as bordas e furos;

- Utilizar inoculantes em silagens para evitar proliferação de fungos e microrganismos;

- Reduzir o teor de água dos alimentos armazenados e/ou ensilados,

- Compactar corretamente e manter a vedação eficiente no alimento ensilado;

- Utilizar aditivos adsorventes à dieta dos animais.


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 116 (maio/junho). Você pode conferir o conteúdo original em: https://www.copagril.com.br/revista/86

**Conteúdo produzido com a colaboração da área do Fomento Leite Copagril.

Outras Notícias:


Sede Administrativa
Rua Nove de Agosto, 700
Marechal Cândido Rondon - PR
CEP: 85960-000

Fone: (45) 3284-7500 -
Redes Sociais
SAC
Copyright® Copagril - Todos os direitos reservados - Política de Privacidade Produzido por BRSIS