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Suinocultura: detalhes que fazem diferença

21/08/2020

Suinocultura: detalhes que fazem diferença

A produção pecuária está cada vez mais técnica e complexa, onde cada ação de manejo deve ser bem executada e cada detalhe faz a diferença. Não é apenas no curto tempo, mas são detalhes, mudanças e melhorias que refletem o plano estratégico de longo prazo, que podem mudar a dinâmica e o resultado de uma granja e que farão da produção um ambiente de sustentabilidade ao produtor e para toda a cadeia.

E quando falamos em detalhes na produção suína, o arraçoamento e o escore corporal estão entre alguns dos principais elementos e que estão interligados, é como explica o produtor Leandro Krause, “são consequência, os dois estão ligados e observamos que ao trabalhar mais atentamente para isso, obtivemos resultados melhores”. Ele que é produtor integrado da Copagril no sistema de Unidade de Produção de Desmamados (UPD).

A propriedade de Leandro fica em Marechal Cândido Rondon e tem em média 500 animais, com dois galpões, um para gestação e outro para maternidade, onde conta com o apoio da equipe técnica da Copagril e o atendimento do técnico do Fomento Suínos, Doglas Lazzeri. “Seguimos as orientações da equipe técnica e temos o acompanhamento. Hoje chegamos a outro patamar e pretendemos ainda melhorar, vimos que essa atenção aos detalhes de arraçoamento e escore corporal trouxe resultados. O uso racional e equilibrado dos insumos beneficia o animal, de modo que recebe conforme suas necessidades e assim pode expressar o melhor potencial”, explica Leandro ao comentar sobre o manejo adotado em sua granja, nomeada Granja Bonança, que inclusive está em processo de adequações para certificação.


Leandro Krause, produtor integrado na UPD, destaca os resultados positivos com o manejo de arraçoamento e avaliação de escore corporal

Assistência técnica

A equipe técnica do Fomento Suínos da Copagril e Unidade Industrial de Rações buscam atender as exigências nutricionais de cada categoria e fase de produção das matrizes suínas. Considerando as particularidades das genéticas alojadas, o desafio é ainda maior, pois são necessários ajustes e acompanhamento contínuo para garantir manejo adequado e o melhor desempenho produtivo dos animais.

A ração é um ponto chave na produção, seja durante a gestação, seja na maternidade, chama a atenção o técnico Lazzeri. “Durante a fase de gestação, o desafio é fornecer quantidade adequada de nutrientes para a manutenção e a recuperação de eventuais perdas de reservas corporais ocorridas na lactação anterior e para o desenvolvimento dos tecidos fetais. Além disso, é preciso evitar o excesso de nutrientes, com o objetivo de minimizar os custos de produção e impactos ambientais” comenta o profissional.

Técnico do Fomento Suínos, Doglas Lazzeri, explica sobre detalhes do manejo das matrizes na gestação e maternidade


Gestação

Considerando as fases de desenvolvimento da gestação da matriz, é importante pontuar que os níveis nutricionais e o manejo alimentar devem ponderar as necessidades de manutenção do metabolismo e a condição corporal, o crescimento dos fetos e a futura produção de colostro, explica Lazzeri. “As consequências desse manejo adequado são o bom andamento do parto, boa produção de colostro e leite, além da boa qualidade e peso ao nascimento”, complementa.

Ele chama atenção para que o arraçoamento seja dividido conforme o desenvolvimento da gestação. No primeiro momento é necessário preservar a sobrevivência embrionária e alimentação da fêmea, no caso da leitoa gestante favorecendo seu crescimento. Após este período se faz o ajuste de escore corporal, mantença e formação de fibras musculares do leitão, evitando o acúmulo de gordura e também qualquer catabolismo (“desgaste”). “Nesta fase que compreende dos 22 aos 75 dias de gestação é vital que se faça o fornecimento de ração baseado no escore corporal individual”, diz o técnico. No terço final do período gestacional ocorre a formação de aparelho mamário e crescimento fetal, quando é fundamental conhecer detalhes nutricionais de energia e de proteína das dietas para definir as quantidades adequadas para suprir as exigências das diferentes genéticas alojadas, conforme acompanhamento da equipe Copagril.

São detalhes que fazem a diferença e que em “qualquer piscada” podem alterar o resultado, comprometendo quatro messes de recuperação, é o que alerta o gerente da Granja Bonança, Aldair Gonçalves Ribeiro. “Anteriormente não era ruim, mas quando olhamos para os detalhes, percebemos que havia como melhorar e são esses detalhes, como o arraçoamento adequado, que fazem a diferença, são ajustes no manejo que mudam os resultados de forma positiva especialmente ao longo prazo”, explica Aldair que fala sobre as metas de produção alcançadas na granja e a projeção de resultados ainda melhores e maior produção.

Uma das ações também adotas na Granja Bonança é o uso do minibox nas baias de uso comum, o que, como explica Doglas, favorece a distribuição de ração e diminui a disputa entre os animais, e por conseguinte, melhor equilíbrio nutricional entre os grupos.


Aldair Gonçalves Ribeiro, gerente da Granja Bonança: são os detalhes, como o arraçoamento adequado, que fazem a diferença

Maternidade

“Durante a fase de maternidade o desafio é ainda maior, pois é nesse período que o animal tem maior demanda por nutrientes para a produção de leite. Os principais desafios são desmamar um número elevado de leitões com alto ganho de peso, minimizar as perdas corporais da matriz para que tenha um período de intervalo desmame-estro reduzido e, consequentemente, um número elevado de ovulações no próximo ciclo” orienta o profissional da Copagril.

Conforme ele reforça, a curva de alimentação sugerida preconiza que a matriz se alimente à vontade, o mais rápido possível após o parto. “No entanto, sabemos que há variações individuais, entre algumas genéticas e também por outros fatores, como temperatura ambiente da instalação, sendo importante que exista sensibilidade para identificar essas diferenças”.

Além de identificar tais diferenças, alguns manejos não tão comuns podem ser necessários e eficientes, como por exemplo implantação de arraçoamento noturno e o “entre trato”, que nada mais é do que estimular as matrizes a levantarem para consumir ração entre os tratos pontuais estipulados pela granja, sejam eles dois, três, quatro ou até cinco tratos diários.

Cuidados estes que também são aplicados na granja do Leandro, seguindo as orientações da equipe técnica da Copagril. Conforme explica o gerente Aldair, a equipe conta com mais uma pessoa para o trabalho especialmente no período noturno. Além de todos os cuidados com a alimentação dos animais nos intervalos e atenção a necessidade individual das matrizes.

O que também é explicado pelo técnico Doglas. “O fato de a matriz levantar e consumir um determinado volume de ração e beber água é muito válido na busca para atender à exigência diária de ingestão proteica e energética, tudo com vistas ao desenvolvimento do aparelho mamário e menor desgaste da matriz lactante”.

Demanda energética

É de conhecimento geral que a ingestão de ração está diretamente ligada à produção de leite e, consequentemente, ao desempenho dos leitões. O efeito da nutrição sobre a produção de leite torna-se mais evidente de acordo com a progressão da lactação, ou seja, à medida que ela avança, o impacto do aumento no consumo alimentar torna-se mais importante, uma vez que a demanda energética da matriz para a produção de leite pode chegar até 100% do total da energia consumida.

De modo geral, a alimentação da matriz suína depende de vários fatores e para otimização e maximização da capacidade produtiva é preciso aliar conhecimento técnico e as melhores práticas de manejo, afim de se obter um leitão desmamado de alta qualidade e maximização da vida útil da matriz.


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 116 (maio/junho). Você pode conferir o conteúdo original em: https://www.copagril.com.br/revista/86

**Conteúdo produzido com a colaboração da área do Fomento Suínos Copagril.

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