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Relação entre melhoramento genético e produção na atividade leiteira

16/03/2020

Relação entre melhoramento genético e produção na atividade leiteira

O melhoramento genético do rebanho leiteiro tem por objetivo obter animais que agrupem características de maior produção de leite por lactação, longevidade (muitas lactações) e maior qualidade do leite produzido. Mas para iniciar um programa de melhoramento deve-se avaliar cuidadosamente a situação de cada produtor e propriedade.

O preço de mercado do leite é um fator importante ao se definir os objetivos da seleção. Por exemplo: uma fração do preço do leite pago corresponde à qualidade, então, o produtor deve optar por uma genética que proporcione este objetivo. Deve investir naquilo que trará melhor remuneração para a propriedade. “Sempre lembrando que, os objetivos de seleção não devem ser alterados no decorrer dos anos para que tenhamos um efeito acumulativo sobre as gerações com maiores ganhos genéticos ao longo do tempo”, explica a supervisora do fomento leite da Copagril, Carol Hoschied Werle.

Produção e longevidade

Se o produtor pretende aumentar a produção, deve lembrar que a genética será estabelecida a longo prazo. Os produtores dos Estados Unidos levaram 20 anos (de 1965 a 1985) para melhorar o mérito genético para produção de leite em 1.000 kg. Porém, mesmo as estimativas mais conservadoras indicam que nos próximos 20 anos o mérito genético para a produção de leite deve aumentar em mais de 6.000 kg.

Se o produtor pretende aumentar longevidade (tempo de produção) e conformação, deve entender que o objetivo não é só obter vacas que vivem mais, mas sim obter animais com mais idade acompanhada por alta produção de leite. Entretanto, não devemos selecionar somente para longevidade, pois muitos fatores podem influenciar esta característica, e na maioria das vezes estes fatores não têm natureza genética. A herdabilidade da vida de rebanho é de 8% (baixa herdabilidade).

Além disso, são necessários de 7 a 8 anos para que as filhas de um touro completem a vida dentro de um rebanho, que é o tempo necessário para calcular de maneira confiável a capacidade prevista de transmissão estimada para estes touros. Passado este período de tempo, o touro pode até já estar morto, ou o mérito genético deste touro pode ter sido ultrapassado por outros touros mais jovens.

“Na realidade, a longevidade de vacas em muitos rebanhos depende principalmente de três fatore: não ter casos sérios de mastite, não ter problemas sérios de reprodução (habilidade para reproduzir-se) e ter produção de leite aceitável para o fazendeiro”, comenta a médica veterinária.

Tipo funcional

Quando o produtor resolve fazer a seleção para o Tipo funcional: úbere, pernas e pés, deve observar que as características de conformação, geralmente não são bons preditores de longevidade. Pesquisas mostram que a seleção do touro deve ser feita baseada nas características de produção e, secundariamente, em características de conformação. “Dentre todas as características de conformação, as características de úbere e em particular o posicionamento dos tetos, profundidade do úbere e inserção de úbere, são mais associados com longevidade. Pesquisas mostram que vacas com profundidade de úbere média ficam no rebanho mais tempo que vacas nos dois extremos (úbere raso e úbere profundo). Isto acontece, pois, vacas com úbere raso tendem a produzir menos leite e vacas com úberes muito profundos estão mais predispostas à mastite e a acidentes físicos”, descreve Carol.

A escolha entre vacas de grande porte ou vacas de pequeno porte é uma discussão em todo o mundo. Carol explica que o tamanho do animal depende de componentes genéticos e de ambiente. “Vacas maiores comem mais e, portanto, produzem mais. Porém, o tamanho não está intimamente relacionado com maiores produções de leite. Em outras palavras, a seleção para maior produção de leite não necessariamente aumenta o tamanho corporal”, lembra.

Cabe ao produtor identificar seus objetivos produtivos, traçar as metas de melhoramento genético e trabalhar para obter os resultados. A Copagril tem parceria com a Zooplan que trabalha com o sêmen da Evolution para auxiliar o produtor em seus objetivos. O produtor também pode procurar a equipe de assistência técnica da Copagril para eventuais dúvidas e maiores esclarecimentos.

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