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"A inteligência artificial será oferecida em rede. Você compra, se pluga na nuvem e utiliza"

08/11/2017

"A inteligência artificial será oferecida em rede. Você compra, se pluga na nuvem e utiliza"
Foto: Openspace

Como a inteligência artificial afetará nossa criatividade, a forma de pensar e de trabalhar. Este foi o desafio do especialista em tecnologias artificiais e um dos gurus do setor, Kevin Kelly, durante palestra realizada segunda-feira (06), durante o HSM Expo 2017, em São Paulo. Segundo Kelly, a maior preocupação hoje das pessoas é se a inteligência artificial roubará nossos empregos. “Não, ela não roubará e não acabará com nossa criatividade e também não invalidará a forma com que pensamos e criamos nossos negócios”. Veja os principais pontos destacados da palestra dele pelo site da Época Negócios:

Pensar diferente, várias inteligências

Um dos primeiros pontos que Kevin Kelly faz questão de esclarecer é de que temos de encarar a inteligência – e por consequência, a artificial – como "uma única dimensão". "A inteligência não é unidimensional. Seu cérebro tem percepção, raciocínio simbólico, dedução, interferência lógica, diferentes inteligências que variam de pessoa para pessoa. Os animais também: os roedores têm mais memória e chimpanzés solucionam quebra-cabeças numéricos melhor que os humanos", diz. A inteligência artificial precisará ser ainda muito desenvolvida para refletir essa complexidade. "Construímos máquinas que trabalham a percepção do nosso cérebro, mas que não conseguem trabalhar outras inteligências", disse. Para as empresas, esse cenário representa uma oportunidade de negócios e inovação – para os humanos, uma vantagem. "Nenhuma mente artificial conseguirá pensar da mesma maneira que uma mente humana. Pensar diferente será a nossa maior fonte de riqueza", diz.

Poder artificial

Ninguém precisará criar sua própria inteligência artificial - Durante a palestra, Kevin Kelly disse diversas vezes que a inteligência artificial (IA) – com toda sua complexidade e desdobramentos – será uma commodity. Funcionará da mesma forma que uma rede elétrica – cada um poderá ter acesso a ela, sem necessariamente criar a sua própria. Poderá usar qualquer empresa para pagar e desenvolver um serviço ou produto em cima disso. "Como a eletricidade, essa inteligência será oferecida em rede, na nuvem. Você compra, se pluga na nuvem e utiliza. É pegar a inteligência artificial e desenvolver o Uber, um novo alimento, ou sapato tecnológico", defende Kelly. Para o especialista, as próximas "10 mil startups" serão construídas dessa forma: "Pegue IA, adicione algo e você terá um novo negócio".

Toda tela também olhará para nós

Assim como o novo iPhone já traz reconhecimento facial, todas a telas com as quais teremos contato – do celular ao computador – também "olharão" para nós. "Vão detectar nossas emoções, saber se estamos mentindo, fingindo, se estamos sendo autênticos e se nosso sorriso é para valer", diz Kelly. A consequência disso é que devemos nos preparar para um "novo nível de engajamento emocional", que será muito maior e mais amplo. Lidar com essas emoções será uma habilidade importante, defende.

A criatividade continuará existindo, mas sob outra perspectiva

Kelly defende que a inteligência artificial não acabará com a criatividade ao padronizar e automatizar processos. Pelo contrário: ela continuará existindo à medida que desenvolvemos máquinas capazes de se manter em "aprendizado constante". "Você já joga videogame há 10 anos contra uma inteligência artificial. Não é novidade para a IA jogar contra o ser humano, mas agora a máquina aprendeu a jogar, através de tentativa e erro, e começa a jogar sozinha", diz. A inteligência artificial desenvolvida, entretanto, não substituirá o modo criativo de pensar dos seres humanos. "Vai completar a nossa criatividade", diz Kelly. E vai além: "Pense nos projetistas e designers. Eles usam a inteligência artificial para que, como humanos, consigam pensar de forma diferente. No fundo, a IA nunca vai projetar como um humano", diz.

Os empregos continuarão existindo, sim

Kevin Kelly diz que não devemos acreditar na equação direta de que robôs vão roubar todos os empregos humanos. Para ele, a lógica não faz sentido por uma razão específica. As máquinas e robôs vão realizar trabalhos que aumentam a eficiência e precisão – em níveis impossíveis aos humanos. É o trator com inteligência artificial que percorre quilômetros no campo, distribuindo exatamente a mesma quantidade de fertilizante para milhares de plantas. Algo que um agricultor adoraria fazer, mas não é capaz em larga escala. "Onde a eficiência é importante, os robôs tomarão conta". Por outro lado, os humanos ocuparão tarefas e cargos centrados na "ineficiência". Kelly explica: "Há muitas outras atividades em que a eficiência não é importante. A ciência é o exemplo de ineficiência. A única maneira de descobrir algo novo é fracassando, chegando a um beco sem saída", diz. "A arte e as relações humanas também são pautadas pela ineficiência e é isso que nos atrai".

Saída

A saída, então, é unir esses dois lados: formar equipes que trabalhem ao lado dos robôs e máquinas, criando um equilíbrio entre eficiência e ineficiência. "Vamos trabalhar com as máquinas e não contra elas e você será melhor remunerado se souber trabalhar com a máquina". Kevin Kelly explica que, na prática, o trabalho conjunto já está ocorrendo. "Hoje, o melhor jogador de xadrez do mundo não é robô, nem humano. É um humano auxiliado por vários robôs. O melhor diagnóstico médico também é atingido através dessa associação, bem como aquilo que consideramos os melhores soldados das Forças Áreas americanas". (Com informações da Época Negócios)

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